As Festas dos Tremoços Na Fajã Grande
As festas dos tremoços na Fajã Grande remontam ao século XVIII, no entanto não se conhecem registos de quando e como principiaram.
Sabe-se que estes festejos, embora não fizessem ou façam parte integrante das festas do Espíirito Santo, funcionavam em conjunto e em perfeita harmonia e sempre foram efectuadas no sábado da Trindade, tal como actualmente.
No passado... eram nomeados pela comissão cessante 4 mordomos, os chamados "os mordomos dos tremoços", por norma eram dois do "monte" e dois da Calheta e Fajã Grande. Eram anunciados ao público e de cima do palanque da filarmónica para o ano seguinte, por cerca da meia-noite no arraial aquando do fecho da festa da Trindade. Na mesma altura se anunciavam os mordomos do vinho do Espírito Santo e a comissão dos bolos.
Acontecia por vezes alguém criticar algo sobre a festa, neste caso e quando os mordomos tinham conhecimento, essa pessoa era nomeada a fim de conseguir fazer melhor no ano seguinte. Procuravam sempre nomear pessoas que ainda não tivessem pertencido a estas festas em anos anteriores.
Era efectuado no "monte" o peditório logo após as secas do milho, em Outubro ou Novembro, uma vez que a maior parte das pessoas davam milho seco, que depois era vendido, revertendo o dinheiro para a festa. Na vila tinham o cuidado de o fazerem poucos dias depois de receberem os ordenados, tornando-se mais rentável, muito embora fosse sempre pouco, dado às dificuldades financeiras da época. Quando o dinheiro não dava para cobrir as despesas estas eram divididas pelos quatro mordomos.
Para a festa, colocavam os tremoços no mar para depois serem cozidos (sensivelmente o mesmo processo hoje utilizado).
Pediam uma casa emprestada na Fajã Grande, convidavam tocadores de viola, cantadores e alguém com o típico carro de bois. Na véspera ou na manhã do dia da festa conforme a maré, tentavam apanhar uma grande quantidade de lapas que eram servidas com pão ou bolo de milho e tudo regado, como não podia deixar de ser, com o nosso bom vinho da Fajã. Á mistura se iam bailando os bailes regionais e as chamarritas com grande alegria e boa disposição, intercalando sempre aqui e ali com mais um copito, fazendo com que parte dos presentes ficassem bastante eufóricos e extrovertidos, como convém nestas ocasiões.
Para o fim da tarde, tal como hoje se verifica, seguia o cortejo animado até à casa do Espírito Santo com o carro de bois enfeitado a preceito, onde levava os tremoços e um barril de vinho de cheiro para irem "molhando a guela" como era hábito dizer. Atrás desta grande animação iam os tocadores e cantadores e entretanto se iam distribuindo tremoços e algum copito a quem aparecia, entregando o restante tremoço na casa do Espírito Santo que posteriormente seria distribuído no arraial do domingo da festa da Trindade.
Em termos de alegria e boa disposição estão semelhantes, no entanto e dado toda a evolução, hoje estas festas tomaram uma dimensão bastante abrangente em relação a esse passado, onde acorrem pessoas de toda a ilha e até turistas e forasteiros que por aqui passam e apreciam.
Pelo grande empenho que tem sido dado a estes festejos no últimos anos já ganharam fama além fronteiras, parabens a todos os que para isso têm contribuido, contribuem e irão contribuir, para levar longe as nossas tradições e a nossa cultura.
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