sábado, 18 de junho de 2011

Olá a todos ! Vamos todos hoje à festa dos Tremoços que é no portinho da fajã grande. Venham se divertir!!

As Festas dos Tremoços Na Fajã Grande

As festas dos tremoços na Fajã Grande remontam ao século XVIII, no entanto não se conhecem registos de quando e como principiaram.
Sabe-se que estes festejos, embora não fizessem ou façam parte integrante das festas do Espíirito Santo, funcionavam em conjunto e em perfeita harmonia e sempre foram efectuadas no sábado da Trindade, tal como actualmente.
No passado... eram nomeados pela comissão cessante 4 mordomos, os chamados "os mordomos dos tremoços", por norma eram dois do "monte" e dois da Calheta e Fajã Grande. Eram anunciados ao público e de cima do palanque da filarmónica para o ano seguinte, por cerca da meia-noite no arraial aquando do fecho da festa da Trindade. Na mesma altura se anunciavam os mordomos do vinho do Espírito Santo e a comissão dos bolos.
Acontecia por vezes alguém criticar algo sobre a festa, neste caso e quando os mordomos tinham conhecimento, essa pessoa era nomeada a fim de conseguir fazer melhor no ano seguinte. Procuravam sempre nomear pessoas que ainda não tivessem pertencido a estas festas em anos anteriores.
Era efectuado no "monte" o peditório logo após as secas do milho, em Outubro ou Novembro, uma vez que a maior parte das pessoas davam milho seco, que depois era vendido, revertendo o dinheiro para a festa. Na vila tinham o cuidado de o fazerem poucos dias depois de receberem os ordenados, tornando-se mais rentável, muito embora fosse sempre pouco, dado às dificuldades financeiras da época. Quando o dinheiro não dava para cobrir as despesas estas eram divididas pelos quatro mordomos.
Para a festa, colocavam os tremoços no mar para depois serem cozidos (sensivelmente o mesmo processo hoje utilizado).
Pediam uma casa emprestada na Fajã Grande, convidavam tocadores de viola, cantadores e alguém com o típico carro de bois. Na véspera ou na manhã do dia da festa conforme a maré, tentavam apanhar uma grande quantidade de lapas que eram servidas com pão ou bolo de milho e tudo regado, como não podia deixar de ser, com o nosso bom vinho da Fajã. Á mistura se iam bailando os bailes regionais e as chamarritas com grande alegria e boa disposição, intercalando sempre aqui e ali com mais um copito, fazendo com que parte dos presentes ficassem bastante eufóricos e extrovertidos, como convém nestas ocasiões.
Para o fim da tarde, tal como hoje se verifica, seguia o cortejo animado até à casa do Espírito Santo com o carro de bois enfeitado a preceito, onde levava os tremoços e um barril de vinho de cheiro para irem "molhando a guela" como era hábito dizer. Atrás desta grande animação iam os tocadores e cantadores e entretanto se iam distribuindo tremoços e algum copito a quem aparecia, entregando o restante tremoço na casa do Espírito Santo que posteriormente seria distribuído no arraial do domingo da festa da Trindade.
Em termos de alegria e boa disposição estão semelhantes, no entanto e dado toda a evolução, hoje estas festas tomaram uma dimensão bastante abrangente em relação a esse passado, onde acorrem pessoas de toda a ilha e até turistas e forasteiros que por aqui passam e apreciam.
Pelo grande empenho que tem sido dado a estes festejos no últimos anos já ganharam fama além fronteiras, parabens a todos os que para isso têm contribuido, contribuem e irão contribuir, para levar longe as nossas tradições e a nossa cultura.

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