A lei que foi aprovada em Portugal, há bem pouco tempo, deve ser uma lei Universal. Na América Latina, região na qual o aborto continua proibido na grande maioria dos países, estima-se que morram por ano cerca de 4 milhões de mulheres em função de complicações causadas pós-aborto.
A interrupção voluntária é um tema problemático em permanente discussão social, visto ser uma questão que toca em valores éticos, religiosos e morais muito profundos. Nem a igreja nem o estado deveriam interferir em decisões pessoais de cunho tão íntimo, como nessa questão.
Um dos argumentos apontados pelos defensores do “não” dizia respeito, a que a despenalização do aborto iria provocar o aumento de número de abortos, mas estudos estatísticos de Itália e Holanda mostram o contrário, ou seja, mostram que quando o aborto foi desponabilizado nestes dois países, este diminuiu.
Mas, porque é que eu sou a favor do aborto? Eu própria, não seria capaz de o fazer, mas podem acontecer casos como os seguintes e em alguns eu iria pensar duas vezes.
Se a criança nascer com alguma deficiência, o aborto pode ser a melhor opção, evitando consequências económicas, sociais e emocionais para essa vida e para a sua família. Toda gente sabe que uma criança deficiente não terá grandes hipóteses de ter um emprego, ter uma vida independente. A sua família é que terá de sustentar os elevados custos económicos para o resto da vida. E a sociedade também não ajuda, dado que ainda existe muita descriminação que dificulta a busca por uma vida independente. Ou então, no caso de a criança nascer de uma violação, essa criança nunca será bem aceite, quer pela sociedade, quer pela família ou pela própria mãe. Nestes casos, a criança corre o risco de ser abandonada à nascença, de ser mal tratada durante a sua vida, podendo vir a ser mesmo morta pelos pais ou desaparecer sem deixar rasto, como tem acontecido nos últimos anos como o caso Joana e Maddie.
Outro caso é uma família com dificuldades económicas que não conseguirá ter mais um membro. Se essa criança nascer, irá destabilizar vida da família, não tendo uma vida digna, estando contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos “Toda a pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.“. É preferível acabar com o sofrimento antes de ele realmente existir do que tentar acabar quando ele já existe.
Contudo, a mulher tem o direito de tomar a decisão num assunto que diz respeito à sua vida, como é a da maternidade e este direito está referido na Organização das Nações Humanas (ONU), que agora vou passar a citar “Direito a decidir ter ou não ter filhos e quando tê-los”.
Ao universalizar-se, esta lei iria estar a promover a saúde pública e consequentemente diminuir o aborto clandestino, em todo mundo.
Dado que o aborto mal feito pode ter consequências graves para a mulher, este deve ser liberalizado para o bem da mulher.
Quando os não defensores desta lei referem que um feto é uma "pessoa", semelhante a nós, com iguais direitos estão a entrar em falácia (engano), pois está comprovado cientificamente que até às 10 semanas não existem neurónios, logo não pode existir dor no feto nem se pode considerar um ser com direitos iguais a nós.
Em suma se a despenalização do aborto for universalizada em todo Mundo, as mulheres que decidem abortar terão a possibilidade de serem acompanhadas por profissionais de saúde, que as informarão sobre o estado de gestação do bebé e as elucidarão acerca das consequências físicas e psíquicas que a realização de um aborto poderá trazer às suas vidas.
Para além disto, não corre o risco de levar a cabo a gravidez e no final de dar à luz à criança, fazendo-lhe assim algum acto aí sim cruel e criminoso.
Não esquecendo que o mais importante é ter as devidas precauções, já existe muita informação acerca do assunto.
«O aborto é uma questão de consciência»
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